Exposição "Ameríndios"


Na busca de suas origens, a artista Paraense, Moara Brasil (Belém, 1983), resgata também a memória de uma cultura em extinção. Em seus estudos e visitas a aldeias no Pará ela busca compreender melhor a cultura e tradições indígenas, tal como suas relações com a natureza e com a vida. Com uma estética de caráter onírico, procura fomentar a reflexão sobre identidade e memória de seus ancestrais para que possamos, junto a ela, mergulhar neste universo e voltar às nossas próprias raízes.

A série Ameríndios reúne pinturas e ilustrações em torno da ideia de alteridade e identidade ameríndia, trabalhos que a artista tem desenvolvido nos últimos dois anos junto a sua orientadora Catarina Gushiken, na Sala Ilustrada. Suas figuras têm uma presença forte e cativante que nos envolve e nos transporta, por vezes é como se os personagens nos “encarassem por dentro”, demandando uma atenção para além do olhar. Traços soltos nos transmitem movimento e uma presença mística, quase sombria, de um povo em extinção. A ligação inerente entre os indígenas e a natureza é representada em sua forma pura, no tradicional costume de pintar o próprio corpo e compor artefatos “vestuais” que imitam vidas e formas naturais. Sendo assim, na obra de Moara, os personagens aparecem como que fundidos à natureza inumana. Algumas figuras são representadas com pássaros na cabeça, em vez do cocar, de forma a substituir o símbolo pelo seu significado, ou seja, a imitação pela própria natureza. A artista traz elementos esteticamente coesos e fortes no desenho e na pintura, que constroem a poética de seu imaginário. Materiais e objetos dão vida à série tornando-a mais orgânica e “palpável”.

A artista mergulha também no universo dos grafismos ameríndios. Recentemente, visitou a aldeia Asuriní, da reserva indígena de Trocará no Pará – os Asuriní do Tocantins são ameríndios da família linguística Tupi-Guarani ­– e, atualmente, dois grupos residem nessa aldeia: os Pacajá e os Asuriní. Nos estudos de Lúcia de Andrade, a artista descobre que a pintura do povo Asuriní sofreu algumas modificações de representação cultural ao longo do tempo. Hoje eles raramente pintam o próprio corpo, só o fazem em situações especiais como rituais, luto/morte e menstruação, ocasiões atribuídas ao sobrenatural. Vemos a influência disso nas cores que predominam no trabalho da artista: vermelha (urucum) e preta (jenipapo). Elas representam a separação entre vida e morte física nos rituais dos Asuriní, como uma alegoria ao possível decesso sócio-cultural dos povos da floresta.

Outros elementos, como a instalação sonora que estará presente - elaborada por Low Moraes - são utilizados para transportar e acomodar os ouvintes no cenário proposto de forma sinestésica. A inspiração certamente vem da natureza. Acredita-se que a música provém de uma esfera para além daquela pertencente aos homens. A busca é a sintetização de sons puros, neste caso, por meio de um casamento entre música tonal e experimentação sonora que modifica sons originais de elementos da floresta de forma a produzir uma total imersão na mata equatorial.

Colaboradores: Kalil Gaby, Hermógenes, Mila Fraga e Cesar Moraes.

Agradecimentos: Catarina Gushiken, Socorro Brasil, Pedro Brasil e Dornélio Silva.

Exposição Ameríndios por Moara Brasil

20/06: 18h às 22h

21/06: 13h às 19h

Local: Rua Topázio, 380.

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