Ameríndios é uma série de desenhos e pinturas criadas em 2015, que retratam curumins assurinís em um rital de luto e morte, tais imagens foram resultado de uma visita a aldeia Asuriní, da reserva indígena de Trocará no Pará – os Asuriní do Tocantins são ameríndios da família linguística Tupi-Guarani – e, atualmente, dois grupos residem nessa aldeia: os Pacajá e os Asuriní. A ligação inerente entre os indígenas e a natureza é representada em sua forma pura, no tradicional costume de pintar o próprio corpo e compor artefatos “vestuais” que imitam vidas e formas naturais. Os personagens  aparecem como que fundidos à natureza inumana. Algumas figuras são representadas com pássaros na cabeça, em vez do cocar, de forma a substituir o símbolo pelo seu significado, ou seja, a imitação pela própria natureza. A pintura do povo Asuriní sofreu algumas modificações de representação cultural ao longo do tempo. Hoje eles raramente pintam o próprio corpo, só o fazem em situações especiais como rituais, luto/morte e menstruação, ocasiões atribuídas ao sobrenatural. As cores que predominam nesta série são: vermelha (urucum) e preta (jenipapo). Elas representam a separação entre vida e morte física nos rituais dos Asuriní, como uma alegoria ao possível decesso sócio-cultural dos povos da floresta. Outros elementos, como a instalação sonora que esteve presente - elaborada por Low Moraes - são utilizados para transportar e acomodar os ouvintes no
cenário proposto de forma sinestésica. A busca é a sintetização de sons puros, neste caso, por meio de um casamento entre música tonal e experimentação sonora que modifica sons originais de elementos da floresta de forma a produzir uma total imersão na mata equatorial.