Artes Visuais

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Vermelho
Casca de crajiru
Vermelho muruci,
Axuá
Urucum
Vermelho AMOR
Vermelho CABANO
A cabanagem
Nunca acabou
Neocabanizar
Para se Libertar

buscar

a força originária

de memórias

invisíveis

retomar

sonhos

impossíveis

reconectar

com que sempre

esteve aqui:

natureza

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Kunhã Strength, 2019

Kunhã, significa mulher na língua indígena Tupi-Guarani, ainda viva em muitos povos nativos do Brasil. Em Agosto de 2019, teve lugar a Primeira Marcha das Mulheres Indígenas em Brasília, a capital do país. Com o slogan "Território: o nosso corpo, o nosso espírito", mulheres de todo o país juntaram-se para exigir a demarcação das suas terras tradicionais, bem como para pedir mais políticas públicas para proteger as suas comunidades. Pela primeira vez, quase duas mil mulheres reuniram-se no centro político do país, num acto histórico. A história do Brasil é marcada por inúmeras violências contra a população nativa do seu território, nos últimos anos tem havido uma maior articulação entre a população nativa, incluindo a presença de representantes no Congresso Nacional. Para os indígenas, o território é fundamental para o modo de vida tradicional, é aí que as relações entre a comunidade e a espiritualidade original são estruturadas em profunda ligação com a natureza. É por isso que proteger a população nativa é proteger o ambiente. Recentemente, com a situação pandémica do mundo, activistas de todo o país estão a fazer um forte esforço para proteger as comunidades da COVID-19. Até hoje, Julho de 2019, já perdemos mais de cem indígenas, alguns dos quais eram importantes líderes espirituais e políticos do seu povo. A força das mulheres indígenas exige "Território: o nosso corpo, o nosso espírito", porque a terra é sagrada, assim como cada um dos seres que a habitam, no corpo e no espírito. O seu poder é uma resposta à violência colonial que historicamente tem tentado destruir as suas tradições e a natureza, é uma luta contra as opressões ao corpo da mulher, à mãe natureza. As mulheres indígenas de Pindorama (o nome nativo do país) ecoam todas juntas o apelo à mãe terra e aos antepassados pela força e protecção. Kunhã Mbaraeté, Força Kunhã.

 

 

Kunhã, means woman in the indigenous language Tupi-Guarani, still alive in many native people of Brazil. In August 2019, the First Indigenous Women's March took place in Brasília, the capital of the country. With the slogan "Territory: our body, our spirit", woman from all over the country  came together to demand the demarcation of their traditional lands as well as to ask for more public policies to protect their communities. For the very first time almost two thousand women gathered in the political center of the country in a historic act. The history of Brazil is marked by innumerable violence against the native people of its territory, in recent years there has been a greater articulation between the native population, including the presence of representatives in the National Congress. For the indigenous, the territory is fundamental to the traditional way of life, it is there that the relations between the community and spirituality are structured in deep connection with nature. That’s why to protect native people it's to protect the environment. Recently, with the pandemic situation of the world, activists from all over the country are doing a strong effort to protect the communities from COVID-19. Till today, July of 2019, more than one hundred of indigenous died, some of them were important spiritual and political leaders from their people. The indigenous women’s strength  calls for "Territory: our body, our spirit" because the earth is sacred as well as each of the beings that inhabit it, in body and spirit. Their power it's an answer to the colonial violence that historically has tried  to destroy their traditions and the nature, it's a fight against oppression to the women's bodies, to the mother nature body. Indigenous women from Pindorama (the native name for the country) all together echo the call for mother earth and ancestors for strength and protection. Kunhã Mbaraeté, Kunhã Strength.

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Moara Brasil Tupinambá

Born 1983 in Pará, Brazil
Lives and works in Sao Paulo and Pará

Indigenous of the Tapajós peoples, activist artist. Was born in Belém do Pará and currently lives in São Paulo. The artist has been dedicating herself to the research on the resistance of her relatives indigenous memory and to the creation of an itinerant "Museum", the "Museu da Silva", which seeks to reveal the contemporary consequences of the violent processes of colonization -  this research will have its first exhibition later this year at CCSP (Centro Cultural São Paulo).


JANAÚ
Born 1983 in Rio de Janeiro, Brazil
Live and works in Ubatuba and Itinerant

Descendent from the Marajoara peoples, from state of Pará, on the Amazon Region, currently lives and works in the state of São Paulo. As a multiartist, educator and poet, her works are focused on her indigenous ancestry, colonial trauma and acts of healing.



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Moara Brasil and JANAÚ
Kunhã Strength, 2019
Single-channel digital video, colour, sound

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