MUSEU DA SILVA

Museu da Silva é uma instalação que fez parte do @agostoindigena em 2019. 

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Este lugar faz parte da minha atual pesquisa sobre a minha história. Sempre soube da forte identidade indígena presente em mim e na minha família. A culinária, a música, a concepção de tempo, as nossas palavras em tupi, o nosso amor pela floresta, os nossos corpos marcados por uma história. Contudo sabia muito pouco sobre a minha origem étnica. Da árvore genealógica a qual tive aceso foi do lado materno, que é de origem de judeus espanhóis de Madri - E quase não sabia, pois não temos o sobrenome judeu na família pois meu avô era considerado "bastardo", sendo ele filho de judeu com nativa da vila de Boim, território Tupinambá. Já da parte do meu pai, sabia da história dos meus avós com ascendência indígena, e que eram da comunidade de Cucurunã, mas não sabia mais nada. Então resolvi  fazer uma viagem no tempo para tentar descobrir de onde vieram meus avós e bisavós. Logo recorri à memória de meu pai e foi a partir dele que cheguei até aqui. Depois de meu pai me falar como era a infância dele em Cucurunã (comunidade de Santarém) e me contar que o vovô era um líder catequista e minha avó era benzedeira e tinha habilidades com o artesanato, resolvi fazer uma viagem para Santarém, cidade do Pará. Lá tive ajuda da minha prima Lucilene para conseguir me conectar com os parentes de meus avós. Entrevistei Seu Laurival (primo da minha avó), Senhora Madalena (moradora de Cucurunã), Tia Conceição, Dona Socorro (que teve aula de artesanato com a minha avó). Fernando (filho de Seu Laurival e um líder da comunidade) e Tarciano (parente do meu avô). A partir deles eu pude compreender as transformações que aconteceram em Cucurunã a partir da construção da Rodovia Everaldo Martins - que viabilizou a apropriação indevida de terras por empreiteiras - além da construção do Presídio de Cucurunã.


Este desenvolvimento insustentável tem afetado muito os moradores da comunidade, onde muitos falam da falta de incentivo do governo em fazer preservar as riquezas da floresta e a tecnologia da farinha, conhecimento tradicional desse povo que está sendo "atropelado" por este modelo de desenvolvimento.


Desse modo muito além de saber das origens dos meus avós, tem sido uma descoberta ainda maior compreender o processo de colonização presente nesta comunidade, como também a permanência de uma cultura indígena, que ao menos em partes, resiste.

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maria
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