Transcrição de áudio feita por Barbara Xavier extraída da entrevista de Moara Brasil com Maria Madalena.

Projeto Museu da Silva

Captação: julho/2019 


 

 Parte 1 (12:OO MIN)

 

Maria Madalena: moradora da comunidade de Cucurunã


 

M: Qual seu nome? (0:01)

 

MM: Maria Madalena (0:03)

 

M: Onde você nasceu, Maria Madalena?(0:07)

 

MM: aqui mesmo em cucurunã (0:09)

 

M: você já passou por algum tipo de educação formal, um curso técnico, fez algum curso? (0:13)

 

MM: (faz sinal com a cabeça de não)

 

M:  é...Maria Madalena me fale, quando foi que você chegou? você nasceu aqui em Cucurunã, é lá pelos anos trinta, por aí? (0:28)

 

MM: é…(0:38)

 

M: você já morava aqui nessa região?(0:40)

 

MM: Já…

 

M: qual era o nome dos seus pais?(0:44)

 

MM: era… Raimundo Chiquito da Silva, e o nome da minha mãe era Maria Dolores Pinto (0:46)

 

M: e me diz uma coisa, na época que você morava aqui, você lembra quantas famílias moravam aqui? por que eu vejo que tem muita gente, mas na época quantas famílias? (1:00)

 

MM: eram...aonde tinha mais era ali na família dos Coelhos… é alí no ramal passando a ponte não tem um ramal, agora é um povoado pra lá…(1:08)

 

M: é…(1:22)

 

MM: aqui mesmo só quem morava aqui… (aponta com o dedo)  era finado Pedro, ali a comadre Denilra, aqui o compadre taciano, que era bem aqui a casa dele, aqui da minha irmã da socorro,  alí era dos parente Fanica, ali aonde tem agora essa casa grande era da finada valeica...agora o compadre taciano deixou isso aqui pro filho e se mudou para ali.(1:24)

 

M: você lembra como eram as casas naquela época?(1:58)

 

MM: tudo era de palha, de madeira, metade era de barro,  metade era de madeira,  olha aquela ali do meu filho ô é metade de alvenaria e metade de tábua, assim que era…(2:02)

 

M: Vocês que faziam mermo? (2:19)

 

MM: é...este aqui ô, este aqui é um carpinteiro ele e meu outro meu filho Paulinho…(2:21)

 

M: ele é carpinteiro? (2:29)

 

MM: é, trabalha de alvenaria, essa aqui foi ele que fez, lá foi ele que fez, aquela de lá foi ele que fez, só não essa minha que foi o outro meu filho…(2:30)

 

M:  é...vocês tem algum tipo de ajuda pra fazer essas casas? (2:43)

 

MM: tem..gente que faz massa (2:47)

 

M: mas te dão dinheiro pra vocês? (2:50)

 

MM: (faz sinal com a cabeça que sim) 

M: é o Incra? (2:54)

 

MM: não, é daqui mermo, a gente batalha e paga… tem nada do incra aqui, agora do incra tem aquelas, ali do compadre Laurival que é pintadinha de verde e azul, ali da minha irmã, por ali tudo, a minha não…(2:55)

 

M: hum...não tem então, é só na…(3:17)


 

MM: só mesmo... dinheiro nosso. (3:20)    

 

M: na época que você chegou aqui, você lembra como é que as pessoas trabalhavam? com o que na época…(3:23)

 

MM: Mandioca! mandioca, açaí,  a gente carregava daqui na cabeça pra levar lá no Juá, não tinha transporte, a estrada daqui era um caminhinho desse tamanhinho assim, a gente ia…(3:29)

 

M: uma hora pra chegar? (3:48)

 

MM: ... às vezes era mais... que a gente ia parando né...às vezes a gente levava paneiro de farinha deixava lá na canoa, subia, não tinha quem mexesse, não é como agora, a gente não pode deixar nada que já roubam…(3:50)

 

M: e disque a farinha tem vários derivados né? tucupi (4:05)

 

MM:é ...tucupi...tapioca…(4:06)

 

M: Vocês faziam tarubá? (4:09)

 

MM: a minha avó fazia muito, até eu fazia…(4:11)

 

M: é? (4:15)

 

MM: (faz sinal de sim com a cabeça)

 

M: vendia tarubá muito? (4:17)

 

MM: vendia…(4:19)

 

M: mas fica porre? (4:21)

 

MM: não..tirava lá. Era muito gostoso, agora passando dois, três, quatro dia já ia ficando forte…(4:22)

 

M: é...humm… você conheceu a Maria Fortunata? (4:29)

 

MM: ishe, era minha tia…(4:33)

 

M: tua tia? (4:34) 

 

MM: finado Pedro...era meu tio…(4:35)

 

M: é? hummm (4:40)

 

MM: a Gabita era minha madrinha…(4:41)

 

M: a gabita? (4:43)

 

MM: é (4:44)

 

M: quando você nasceu eles já estavam aqui? (4:45)

 

MM: Já! eles moravam ali passando o campo do...do sociedade, umas casa que tem lá em baixo, agora onde é que mora a, como é, aquela...mãe do mingau a...nem sei mais como é que é o nome dela (4:48)

 

M:  e vocês faziam naquela época ou ainda fazem, é, cestaria, palha, cesta, tipiti? (5:10)

 

MM: quem fazia já morreu que era o finado Gonçalo…(5:20)

 

M: hum...ele fazia tipiti? (5:22)

 

MM: tipiti, paneiro, peneira, tudo ele fazia…(5:25)

 

M: Fazia tudo, tudo com a farinha…ah interessante...você lembra naquela época é, desde criança o que quê era alimentação de vocês, o que quê vocês comem além da farinha? (5:28)

 

MM: era peixe...peixe lá do Juá, naquele tempo não era tão perseguido como é agora…(5:47)

 

M: não era tão o quê? (5:54)

 

MM: perseguido assim né, malhadeira, tarrafa, naquele tempo não, era só mesmo no caniço(5:55)

 

M: pescava...tinham pessoas que pescavam? (6:03)

 

MM: tinha! (6:06)

 

M: vocês pagavam? (6:08)

 

MM: não, eles pegavam e traziam pra gente comer(6:10)

 

M: Ah é? (6:13)

 

MM: é! (6:14)

 

M: Era uma grande celebração, todo mundo comendo… (6:15)

 

MM: maas era muito gostoso o peixe do Juá, chega chegava mexendo…(6:18)

 

M: é? você lembra o nome do peixe? (6:24)

 

MM: jaraqui, aracú, piranha, tucunaré…ishe…(6:26)

 

M: era...e hoje tem peixe? (6:34)

 

MM: tem…(6:35)

 

M: tem que comprar agora? (6:38)

 

MM: Não, ás vezes os menino vem de lá do Juá, e ele trás , quando a gente morava lá no igarapé do costa ele passo e já mandam pra cá…(6:39)

 

M: e me diz uma coisa, naquela época, como é que era assim, tem religião aqui, como é que é? (6:54)

 

MM: Têm!( 7:01)

 

M: o que quê é? (7:02)

 

MM: Têm católico, têm crente. Tem duas igrejas lá em cima, do cajal, tem uma da paz, tem uma dá...como é mesmo o nome da ourtra igreja (7:-03)

 

M: você faz parte de alguma?(7:18)

 

MM: eu não...só da igreja aqui da santa…(7:19)

 

M: você vai rezar aqui, todo domingo? (7:22)

 

MM: todo domingo…( 7:24)

 

M: é! (7:25)

 

MM: domingo eu fui...na celebração(7:26)

 

M: sabe rezar um pai nosso (risos) (7:29)

 

MM: (risos)

 

M: e, festa? como é que é festa aqui? desde aquela época mudou muito pra o que é hoje? (7:34)

 

MM:  ishe deus o livre, mudou muito… (7:40)

 

M: é? como era antes?(7:42)

 

MM: nem barracão não tem mais hó, que derrubaram e não fizeram mais… tem festa assim pela sede, mas aqui não tem mais nada…(7:44)

 

M: não tem mais nada...o que é quê você sabe fazer? você que faz essa farinha, essas…não vc só vende(8:01)

 

MM: não, minha sobrinha que manda de lá da colônia que ela mora (8:09)

 

M: onde que é a colônia?(8:13)

 

MM: eu não sei qual que é o nome da colônia, é pra lá…(8:15)

 

M: você vende, fica vendendo…(8:21)

 

MM: eu compro dela e vendo aqui(8:23)

 

M: é? (8:26)

 

MM: (faz sinal com a cabeça que sim)

 

M: na época da Maria Fortunata, quando era mais nova...da Conceição, lembra, da conceição? (8:29)

 

MM: me lembro, sim, minha comadre e prima, filha da tia Maria, Djalma, tio djalma...Dornelio, Donaldo…(8:34)

 

M: Dornélio é meu pai! :(8:47)

 

MM: é? (8:49)

 

M: é (risos) você lembra se naquela época, meu pai falou…e eu quero confirmar (8:51)

 

MM:  um homem feio tem uma filha tão bonita (risos)(8:55)

 

M: (risos) vou mandar esse aúdio pra ele (risos)(8:59)

 

MM: quando chegar lá tu diz: “olha, a Madalena falou do senhor papai, de quê? que o senhor é feio e tem uma filha bonita (risos)(9:02)

 

M: eu vou falar ele (risos)(9:11)

 

MM: fala, fala que ele vai achar graça, mas aquela danada, ele diz...quando nós era moleque, mas rapaz, nós alutava quando nós ia pro juá, tinha areia, ele ia de calçãozinho, e nós pegava e nós alutava parece dois muleque (risos)(9:13)

 

M: esse Juá é famoso heim, eu acho que eu vou conhecer esse Juá...se lembra naquela época que tinha, não sei se ainda tem hoje, curandeiros…(9:37)

 

MM: não me lembro mais…(9:47)

 

M: não lembra, pra tratar de cura, a gente chama de chá, chá pra curar uma dor de cabeça, dor de barriga...uma reza… não lembra?(9:50)

 

MM: não me lembro mais....(10:02)

 

M:quantos filhos você tem?(10:08)

 

MM: eu tenho seis, três homens e três mulheres…(10:09)

 

M: só isso? (10:13)

 

MM: só…(10:14)

 

M: tem bastante?(10:19)

 

MM: brinquei muito né (risos)(10:20)

 

M: brincou muito(risos)... o que você lembra daquela época que vc ache muito muito legal, o que que vc lembra  que fica muito marcante na sua infância, na sua adolescência, hoje assim…(10:28)

 

MM: cês acreditam que quando eu era solteira, eu saia daqui pro são brás, conceição e djalma  fugia deixava um pilão na minha rede, pra mim ir na festa…(10:42)

 

M: você fugia? (10:52)

 

MM: era eu a conceição, minha prima Nica, a cumadre Inácia , mulher do cumpradre Laurival, ma rapaz, nós fugia muito, nós, eu ia com meu irmão e ela ia com o djalma, a Conceição…(10:53)

 

M: ia pra onde? pro igarapé? (11:11)

 

MM: queeee… pra festa pra aí, São Brás, mainão(11:14)

 

M: tocava o que? bolero?(11:18)

 

MM: era, tocava violino, naquele tempo não tinha negócio de assopro nem nada, era só no banjo(11:21)

 

M: banjo! é? dançava casal com casal? (11:29)

 

MM: (risos) não que não (risos)(11:34)

 

M: era muito bom? (11:40)

 

MM (faz com a cabeça que sim) naquele tempo não tinha negócio de bebida, não tinha briga nem nada não é como agora, a gente não pode sair de casa, chega daqui pra ali já tão brigando, fumando droga, pergunta pro laurival…(11:43)

 

M: hum..ele falou mesmo…(11:59)


 

PARTE 2- 13:25 min 

 

M:.. chegou muito isso aqui, o que você acha que chegou nesse tempo aqui na comunidade que vc não gostou, que não é legal, além disso que você falou, mas questão de desenvolvimento da cidade assim, você acha que não é legal isso aí, você esperava outra coisa, o que você esperava aqui em cucurunã pra melhorar…(0:02)

 

MM: sabe o que? um posto que aqui ninguém tem , quando a gente adoece vai tudo pra São brás, aí chega em São Brás não tem médico, não tem nada...volta lá pra Santarenzinho(0:20)

 

M: hum...não tem nenhuma assistência? (0:35)

 

MM: (faz não com a cabeça)

 

M: o que vc acha desse presídio que tem aí? é ruim pra vcs esse presídio(0:39)

 

MM: não, não pq quando eles saem daí eles não vinham pra cá, eles pegam o mato e vão embora…(0:44)

 

M: é?(0:49)

 

MM: (faz sim com a cabeça)

 

M: não prejudicou o lago? o igarapé, não tinha um igarapé aí? (0:51)

 

MM: não pq tá poluído que tudo que ele pegam eles jogam tudo dentro, aí não prestou mais…(0:56)

 

M: é...nossa...é como é que você se autodeclara, como você se vê, vc é uma pessoa, sua descendência, quais são suas origens, cê sabe disso? (1:13)

 

MM: (faz sinal de não com a cabeça)

 

M: sabe sim… (1:29)  têm portugues aí? (1:32)

 

MM: não (1:36)

 

M: e esse cabelo? (1:40)

 

MM: isso daqui é de natureza, nunca pintei, tô querendo pintar agora de branco(1:41)

 

M: é? pq?(1:52)

 

MM: pra ver se ele embranqueja, que ele não fica branco (risos)(1:55)

 

M: mas é tão lindo seu cabelo preto(2:00)

 

MM: todo mundo dizia, dizem que eu pinto, até minhas filhas (barulho de carro) pessoal quando chegou lá na cidade….. eu digo tá, o dinheiro que é pra mim comprar pintura eu compro comida pra mim comer, eles se abrem…(2:03)

 

M: Seus pais sempre moraram aqui? (2:29)

 

MM; tu não te lembra quando o finado cavaquinho...não, tu ainda não existia, o finado cavaquinho era vivo que tinha um terreno lá, andava por aqui…(2:32)

 

M:hum...andava por aqui...então isso aqui começou em 1900 ( 2:45)

 

MM: é…(2:53)

 

M: vinha pra cá…(2:55)

 

MM: andava pelo um caminhinho apanhando açaí, tu nem sabe que eu trepava no açaizeiro (2:57)

 

M: Você fazia isso?(3:04)

 

MM:  mas não...eu apanhava açaí eu fazia pilha….empalhava o açaí na pilha na folha do açaí, aí metia o açaí dentro da pilha botava no paneiro e botava na costa e (bate com a mão em sinal de saída)  caminho do juá… (3:05)

 

M: ia vender lá…(3:21)

 

MM: mas não, deixava lá quando era de madrugada nós ia daqui no caminho empurrando, nessa beirada até chegar na cidade a gente chegava ensopada da maresia (3:22)

 

M: sério?(3:39)

 

MM: ….na idade de sete anos eu andava de lá da onde agora é a nova água pra cá com paneiro de mandioca na costa, aí aonde agora é o basa lá era nosso... de buscar mandioca, nossa, nosso forno, casa de farinha era bem ali logo…(3:49)

 

M: humm...tinha uma casa de farinha pra lá? (4:08)

 

MM: tinha...bem aí passando a ponte aqui nesse mato que tem tudo isso aí era limpo…(4:11)

 

M: e hoje como é que tá?(4:18)

 

MM: rum...mato, lama, lama, lama,...(4:20)

 

M: lama… e a produção de farinha? ainda tá, ainda continua ou tá mais ou menos?(4:24)

 

MM: só o pessoal dos coelhada e ali agora tempo do...festival, só ali que tem casa de farinha.(4:30)

 

M: é?(4:41)

 

MM: humhum…(4:42)

 

M: pra ti o que quê é, o que seria viver muito bem assim? como que você vê assim, aí isso é viver bem! pode falar …(4:44)

 

MM: o quê?(4:57)

 

M: o que é viver bem pra você?(4:58)

 

MM: aí, é a gente viver só, não ter preocupação com nada, com homem com nada…(5:00)

 

M: com homem com nada rsrs(5:04)

 

MM: a gente dorme quando dá o friozinho a gente puxa o lençol e aí olha (risos)( 5:06)

 

M: eu vi que falaram muito de...de...como é que era o nome...puxirum…(5:23)

 

MM: é isso era puxirum que a gente fazia pra plantar mandioca, pra fazer roçado…(5:33)

 

M: ah o nome era puxirum? vocês faziam, tem hoje?(5:37)

 

MM: não...acabou tudo agora…(5:44)

 

M: acabou tudinho?( 5:48)

 

MM: acabou, ninguém faz mais roça, depois fala dos coelho, mas eles fazem mesmo e ajudam um o outro (5:49)


 

M:   e como é que é a educação aqui? tem colégio? (6:00)

 

MM: tem...é bem aí perto da casa, como quem passasse perto da igreja…(6:04)

 

M: é?(6:09)

 

MM: é…(6:10)

 

M: e depois que estuda aí vai pra algum lugar?(6:11)

 

MM: pra cidade…(6:14)

 

M: Santarém?(6:15)

 

MM: (faz sinal de sim com a cabeça) olha o filho dela o mais velho foi estudar na universidade…(6:17) 

 

M: é? (6:21)

 

MM: faz gesto de sim

 

M: tem muito jovem aqui? (6:23)

 

MM: tem (6:25)

 

 M: muito adolescente, tem muitas famílias...você viu que aumentou muito? (6:26)

 

MM: ishe  demais …(6:29)

 

M: aumentou muito, e você gosta das praiazinhas daqui?(6:34)

 

MM: mas rapá...a hora que quer ir pra cidade, pego o ônibus aqui oh…(6:38)

 

M: é...ah que maravilha, e…(6:45)

 

MM: toda hora ônibus aqui, alter do chão é vila nova é cucurunã é alter do chão…(6:50)

 

M: e me diga pra mim um...me fale um sonho, seu laurival me falou lá um sonho…(7:02)

 

MM: ah é...e o que ele falou? quando ele tava com a inácia rsrs eu sabia! isso aí que ele fala (7:08)

 

M: e o teu? não tem nenhum sonho?(7:22)

 

MM: não! (7:26)

 

M: já realizou todos? (7:27)

 

MM: não simpatizei com nenhum sonho desses…(7:28)

 

M: não? (7:34)

 

 M: não quer mais sonhar? (7:38)

 

MM: não, não quero sonhar mais, graças a Deus chegou uma hora que eu quero me...vou pra onde eu quero não tenho ninguém me diga: ah não vai não!...tá! (7:41)

 

M: o que é sonho pra ti? (7:58)

 

MM: sonho pra mim é viver bem só eu e aquele lá de cima, tem noite que eu durmo só eu e deus aqui…(8:00)

 

M: é?(8:10)

 

MM: é, agora que veio neto da ponte alta, pra ficar essa semana comigo antes de começar a aula dele (8:11)

 

M: então você fica bem sozinha? (8:22)

 

M: tu a floresta, mato, curupira…(8:25)

 

MM: não tem nada disso, mas meu filho trancou minhas porta meteu cadeado (8:26)

 

M: não tem curupira, não vê visagem? (8:33)

 

MM: mas quando...a visagem quem faz é eu que me acordo de madrugada começo a andar pelo meio da casa (8:35)

 

M: (risos) então é isso, e vc lembra do Pedro o Delgado?(8:52)

 

MM: (faz sim com a cabeça)

 

M: o que ele era aqui o Pedro Delgado? na época(8:58)

 

MM:  ele rezava na igreja (9:01)

 

M: é ? (9:06)

 

MM: ele, a conceição (9:07)

 

M: rezavam muito?(9:09)

 

MM: ele com o finado meu avô, como é que é o nome dele...henrique...fizeram uma igrejinha ali onde era da cumadre delnira, uma igrejinha de palha, coberta de palha, aí eles compraram uma santinha desse tamanhinho assim a gente botava lá e elas rezavam lá a conceição e a finada lua, eu me lembro bem como fosse hoje , lá foi que trocaram uma santa grande e fizeram a igreja, derrubaram e agora fizeram outra.(9:12)

 

M: vou lá né, dá uma olhada e tirar uma foto, agora é uma grandona né? (9:52)

 

MM: é! (9:55)

 

M: e a pequenininha o que quê tem nessa? tem uma fechada ali (9:57)

 

MM: é o barracão que era a igreja que fizeram o barracão pra igreja pra vender alguma coisa assim na celebração (10:00)

 

M: hum...entendi...voce lembra que naquela época tinha a presença muito forte de padres de fora…(10:10)

 

MM: tinha...o primeiro padre que celebrou a missa aqui era o frei Raimundo…(10:20)

 

M: frei raimundo hum…(10:24)

 

MM: ele nunca mais….poxa(10:27)

 

M: ele era americano, portugues ou alemão?(10:32)

 

MM: eu acho que ele era portugues,ás vezes ele falava que a gente não compreendia nada… que depois que fizeram a igreja que apareceu já outro padre (10:34)

 

M: não tinha mulher? mulher que rezava, madre, é assim que chama?(10:49)

 

MM: (risos) a freira né…(10:54)

 

M: freira…(10;56)

 

MM: era… só as mulherada mermo daqui da comunidade (10:59)

 

M: então vc lembra, vc chegou a fazer catequese?(11:04)

 

MM: faz com a cabeça que não 

 

M: então é isso...acho que respondeu já tudo que a gente está apresentando, foi muito boa a entrevista, muito obrigada!(11:15)

 

MM: quando vcs tornarem a vir eu já tô com meu cabelo branco…(11:27)

 

M: ahh…(11:29)

 

MM: se eu ainda tiver viva (risos)(11:31)

 

M: eu quero ficar com o cabelo preto igual o seu(11:33)

 

MM: (risos) 

 

M: o meu é preto ô, igual o seu, vai ficar...só que ja tem uns cabelo branco aparecendo (risos)(11:38)

 

MM: o meu também tem uns aqui ô (11:41)

 

M: é? ah dá nem pra ver de tão preto que dá nem pra vê como é que pode!? fala logo qual é a frutinha aí que tu tá colando nesse cabelo (11:44)

 

MM: nenhuma! (11:52)

 

M: humhum...e olho pretinho tbm...parabéns pela beleza, parabéns pela cordialidade...eu vou mandar o recado…(11:53)

 

MM: olha, a minha irmã ela é a caçula, mas se tu ver o cabelo dela tá todo branco, é ela mora bem aqui oh…(12:04)

 

M: tá branco o cabelo? deixa eu pegar mesmo pra ver se é de verdade…(12:15)

 

MM: é, mas pega oh!(12:20)

 

M: risos) gente é preto mesmo! como é que pode, de família isso aí a dona fortunata tbm que demorou…demorou, cabelo preto, preto, preto (12:23)

 

MM: o lorival que o cabelo dele, da conceição já tá tudo branco…(12::36)

 

M: já já já! da conceição tá branquinho (12:40)

 

MM: eu quando falo com lorival, não sei se eu já tenho cabelo branco, ah tá tudo branco, ele diz só o teu não tá branco pq tu pinta, eu digo tá(12:45)

 

M: (risos) maravilhosa!conversar agora com o seu taciano (13:00)

 

MM: aquele que gosta de conversa(13:07)

 

M: ele que gosta de conversa…(13:9)

 

MM: mais cumadre vanir…13:11)

 

M: Ma-da- le- na, adoro esse nome, muito bom! (13:13)